Redefinindo a conexão

Há tempos que já não me conecto com os maiores meios de comunicação da atualidade. Aos poucos, sem perceber, as redes sociais foram tomando conta do meu tempo e da minha atenção. O que parecia apenas parte da rotina começou a ocupar espaço demais, até o ponto em que já não havia silêncio suficiente para eu escutar a mim mesmo. Foi aí que tudo começou a perder sentido e o meu primeiro bloqueio criativo apareceu.

De repente, criar deixou de ser natural. Fiquei meses sem conseguir produzir qualquer conteúdo, sem registar resultados, sem conseguir sentir prazer no que antes era uma das partes que mais me movia. O momento final de um trabalho, aquele instante em que tudo se concretiza, deixou de existir da mesma forma. Já não havia o sorriso agradecido, nem a timidez no olhar, nem aquela sensação de transformação que me lembrava por que eu fazia tudo aquilo.

O que veio depois disso foi a culpa. Uma culpa constante por não estar a criar o conteúdo do momento, por não acompanhar cursos, por não manter uma presença ativa, por não responder no horário “certo”, por não documentar cada passo do meu trabalho. Havia sempre algo que parecia estar em falta. As ferramentas estavam todas ali, as possibilidades também, e ainda assim eu sentia que estava a perder algo essencial em mim. Porque, no fundo, eu já não estava a criar por vontade própria, estava a tentar acompanhar um ritmo que não era meu.


Com o tempo, percebi que tinha construído algo que já não me representava. Depois de anos a dedicar-me a um perfil, tomei a decisão de apagá-lo. Não foi uma decisão impulsiva, foi um corte necessário. Ao mesmo tempo, não queria perder a ligação com as pessoas que fizeram parte desse caminho, clientes, amigos e quem acompanha o meu trabalho.

Foi por isso que decidi criar este site. Um espaço mais meu, mais calmo, onde posso mostrar o que faço sem pressa, partilhar pensamentos e simplesmente existir sem a pressão constante do algoritmo.

Hoje consigo dizer isso com mais leveza. Já não sinto culpa. E isso, por si só, já muda tudo.